A metodologia que aplicamos nas escolas brasileiras acaba de ganhar espaço na maior revista de negócios do país. Na coluna Bússola, da EXAME, Roberto Corazza — professor, especialista em Múltiplas Inteligências e idealizador da A.M.I. — assina a matéria "Como o QI da geração Z está desafiando o mercado de trabalho".
O alerta: o QI parou de subir
Pela primeira vez em mais de um século, estudos internacionais apontam desaceleração nos índices médios de QI — justamente na geração que mais domina tecnologia e lidera as transformações digitais. O dado acendeu debates no mundo inteiro: a geração Z está ficando menos inteligente?
A resposta da matéria é provocadora: não. O problema não está nos jovens — está na régua.
Testes de 1905 medindo talentos de 2026
Os testes de QI derivam do modelo criado por Alfred Binet em 1905. Eles medem, essencialmente, duas dimensões: raciocínio lógico-matemático e linguagem. Tudo o que ficou de fora dessa régua — criatividade, colaboração, inteligência emocional, comunicação — é exatamente o que o mercado de trabalho passou a exigir.
Aproximadamente 70% das maiores empresas globais já incorporaram critérios relacionados a habilidades socioemocionais nos seus processos de contratação e promoção profissional.
Entre elas: Itaú, Nubank, Google, Amazon, Microsoft, Meta, Santander e Coca-Cola. Ou seja — enquanto a escola ainda mede o aluno pela régua de 1905, as empresas que vão contratá-lo já mudaram de régua.
A régua nova: as 8 inteligências
A alternativa científica citada na matéria é a Teoria das Múltiplas Inteligências, proposta por Howard Gardner (Universidade de Harvard) em 1983, que reconhece oito formas distintas de inteligência — linguística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal e naturalista.
No Brasil, a metodologia de avaliação dessas inteligências (o MIDAS, teste internacional com 25 habilidades associadas) foi adaptada por Roberto Corazza sob o nome A.M.I. — Avaliação das Múltiplas Inteligências. Após quase uma década de estudos, validações e aplicações em instituições educacionais, a ferramenta identifica talentos que os modelos tradicionais simplesmente não enxergam.
O que isso significa pra sua escola
Se as maiores empresas do mundo já contratam por competências socioemocionais, a escola que só entrega nota de prova está preparando o aluno pro mercado de ontem. A escola que mapeia o perfil completo de inteligências de cada estudante entrega às famílias o que elas mais querem: clareza sobre o potencial do filho — e um caminho pra desenvolvê-lo.
